sexta-feira, 27 de março de 2009

ACORDO HOJE

Acordo hoje, não importa que dia é ou que dia será amanhã.(aliás, de que me importa se a pontuação estará certa ou errada, não me importo).

O dia é frio e não tenho vontade de sair da cama, não tenho vontade de pensar nem mesmo em quem sou eu ou em quem eu serei um dia.

Onde será que está ocerto, será que ele não está no errado, não quero pensar nisso também. Sair, esta é a melhor opção, mas também se não for não quero pensar a respeito.

Na rua as pessoas continuam andando e pensando em suas vidas – em como ela vão, em como solucionar seus problemas, em como arrumar problemas, enfim, não me agradam.

Passo por um bar, um bar próximo a minha casa, pois não queria andar muito. Não entrei no bar, se entrasse ia ter que pensar em quantas cervejas poderia beber, em quanto dinheiro eu tinha, em que horas seriam, enfim, lá estaria de novo o maldito do pensar.

Fiquei andando sem rumo até que encontrei um amigo no calçadão da praia, ele me falou da sua vida, me contou das suas farras e me chamou pra ir na casa dele, pois ia ter uma festinha lá. Não fui, não queria pensar em quem eu ia encontrar lá, nem como ia voltar pra casa depois, se ia ficar com alguém ou se ia me isolar a festa inteira. Hoje o que eu queria mesmo era ficar sozinha, ou será que o que eu queria era que algo novo me acontecesse para eu esquecer de tudo que aconteceu até hoje. Mas para que isso acontecesse eu teria que pensar e isso eu não queria, aliás, eu não sei o que eu quero.

Voltei pra casa, liguei a T.V e só tinha programas ridículos passando lá. Liguei o vídeo, botei uma fita do Led Zeppelin, que era pra eu ver que existem pessoas piores do que eu – afinal o Jimmy Page não é mais como era antigamente. Mas o show me fez lembrar de coisas boas, de coisas que eu queria viver novamente, mas será que isso é possível? Não, não quero pensar nisso (droga! Lá vem o maldito do pensar novamente!).

Tirei a fita e resolvi telefonar para alguém para saber se o mundo tinha mudado nos poucos instantes em que eu me mantive longe dele. Falei com umas seis pessoas e cheguei a conclusão de que tudo estava igual, só uma coisa havia mudado, a minha vontade de ficar em casa havia acabado. Comi alguma coisa, sempre que fico ansiosa como alguma coisa, e fui para a festinha na casa daquele meu amigo.

Enquanto andava na rua uma música me perseguia, era Kashmir, do Led Zeppelin, ela não queria me deixar em paz e isso já estava me incomodando. Mas depois passei até a gostar, porque assim eu não pensava em mais nada.

Cheguei a casa do meu amigo, a festa já estava embalada, a bebida e o fumo já rolavam a vontade e tratei logo de ir me apossando de alguns copos e dando algumas tragadas. Não queria me importar com que horas eram, mas sei que já era bem tarde e eu já tinha bebido muito, quando dei conta que as pessoas ali já não eram mais as mesmas, ou melhor, que continuavam sendo o que sempre foram, e isso me deu vontade de ir embora, mas ao mesmo tempo queria ficar que era pra esquecer que existia um mundo lá fora e que alguma hora eu teria que enfrenta-lo. Por que será que o mundo e as pessoas não são menos cruéis e obrigam você a enfrenta-los sem o mínimo de piedade? Se as pessoas fossem inteligentes jamais tentariam compreender nada, nem pensar em nada apenas deixariam com que as coisas acontecessem e contornariam as situações (lá estou eu pensando de novo!).

Chega! Voltei pra casa, me tranquei no quarto, apaguei a luz, botei Kashmir na vitrola e deixei com que meus pensamentos virassem notas musicais, e que as coisas com que eu estava preocupada em resolver se sequenciassem como numa partitura de uma música que teria que ter os arranjos muito bem feitos, mas que iria se tornar uma grande obra.

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